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Em mulher não se bate, nem com uma flor

segunda-feira, janeiro 09, 2017 João Paulo Andrade Nascimento 0 Comentários



Em virtude da enorme polêmica envolvendo o recente caso que aconteceu em Três Corações – MG, em que um comerciante de 34 anos, casado com uma delegada, agride a socos e pontapés uma mulher segurança de um clube, o Emtelequitoas expõe aos leitores esse post que tratará de algumas considerações importantes sobre a violência doméstica contra a mulher e sobre a Lei Maria da Penha, dispositivo legal que ampara as mulheres vítimas de agressões verbais ou físicas.


Por que a lei se chama Maria da Penha?


Maria da Penha Maia Fernandes é uma farmacêutica de 72 anos, que tornou-se uma importante referência feminista brasileira graças a sua luta pela contra a violência que agrediu e continua a agredir uma grande parcela das mulheres no Brasil, principalmente em ambientes domésticos. 


Durante 23 anos, Maria da Penha foi uma das vítimas do comportamento agressivo de seu marido, que já havia tentado afoga-la, eletrocutá-la e que a deixou paraplégica graças a um tiro disparado por uma arma de fogo. Após a última tentativa de assassinato cometida contra ela, Maria tomou coragem e denunciou seu marido que foi punido só depois de 19 anos de julgamento e ficou preso apenas por dois anos em regime fechado. 


Graças a isso, ela reuniu esforços, juntamente com alguns órgãos nacionais responsáveis pelo direito a defesa da mulher, e levou a denúncia até a Comissão Interamericana de Direiros Humanos (OEA) que condenou o Brasil por não possuir mecanismos suficientes para o combate contra a violência contra as mulheres.




Mesmo depois da lei, ainda existem muitos casos de violência contra a mulher no Brasil?


De acordo com o Mapa da Violência 2015, o Brasil está em 5º lugar no ranking dos países com mais crimes cometidos contra a mulher. Em média 4,8 assassinatos são computados a cada 100 mil mulheres que habitam a nação. Em relação a mulheres negras, esse índice aumentou em 54% nos últimos 10 anos e aproximadamente 50% dos casos são associados a brigas acontecidas dentro do seio familiar, sendo que 33,2% deles são praticados por ex-parceiros ou parceiros das vítimas.



O que se pode fazer para ajudar a combater esses crimes?


1-     Não negue a existência de uma cultura machista e patriarcalista


Ainda existem muitas pessoas no Brasil que ainda acreditam que as mulheres oprimidas ou as defensoras de causas feministas estão apenas praticando um “vitimismo” desvinculado da realidade que envolve situações de abusos contra mulheres. A negação da existência do machismo patriarcal no Brasil só ajuda a amenizar a consciência de quem pratica esse tipo de agressão, portanto é de fundamental importância a não reprodução de discursos negacionistas que geralmente encontramos em redes sociais, programas de humor e etc.


2-     Denuncie!


Se você sofre ou conhece alguém que passa pelo drama da violência doméstica contra a mulher, é muito importante que uma denúncia seja formalizada. É possível fazer isso por meio de algumas delegacias especializadas em casos de abusos contra mulheres ou ligando para o número de telefone 180. Todo o processo pode ser feito de modo anônimo, garantindo assim a proteção da sua identidade contra possíveis futuros atentados cometidos pelo agressor.



3-     Divulgue mensagem que auxiliem a combater a violência contra mulher


Bons exemplos que auxiliam a informar e a educar as pessoas sobre a importância no combate a violência contra a mulher devem ser compartilhados. Recentemente, alguns alunos do 2º ano do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, na cidade de Fátima-BA, resolveram participar dessa luta criando um vídeo, que está disponível no youtube, em que eles relatam o drama das mulheres que sofrem por esse tipo de agressão:



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